HomeESPECIAL
Regras básicas para exportar
frutas
Grandes e pequenos produtores podem vender para o mercado
externo. O ingrediente principal é a qualidade
Com 5 milhões de hectares
cultivados, o Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do
mundo, atrás apenas de China e Índia. O faturamento anual desse
mercado no País é de R$ 10 bilhões, de acordo com o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatísta (IBGE). Do total produzido,
porém, menos de 10% vão para o mercado externo, que movimenta
US$ 25 bilhões anuais, segundo estimativas da Food and
Agriculture Organizagion (FAO), órgão da ONU para a
alimentação.
A campeã das exportações
nacionais é a cadeia da laranja (principalmente suco
concentrado), que representa 38,8% do total vendido, com um
faturamento anual US$ 2,6 bilhões, somando-se mercado interno e
externo. A segunda colocada é a banana, que representa 19,9% do
total exportado, ou US$ 1,8 bilhão. No terceiro posto aparece a
uva, cujas exportações somam 10,2% do total, com US$ 1,2 bilhão
ao ano. O restante do faturamento é dividido entre outras
culturas como mamão, manga, caju e abacaxi.
Ser um grande produtor, porém,
não significa ser um grande exportador, segundo o pesquisador da
Embrapa Mandioca e Fruticultura Clóvis Almeida. "As
exigências do mercado internacional de frutas são crescentes,
principalmente em relação ao acabamento das variedades",
diz. Almeida aponta alguns entraves na produção nacional, como
qualidade das mudas, segundo ele ainda aquém das necessidades
agronômicas. Conforme Almeida, as frutas nacionais perdem
qualidade principalmente durante o transporte, quando as frutas se
"machucam" e também pela falta de câmaras frias nos
portos. "Além disso, a fruta brasileira não é muito
conhecida lá fora e seria necessário um plano de marketing mais
agressivo nos potenciais mercados", comenta.
MERCADO
Segundo Almeida, em alguns casos,
os preços médios internacionais passam por períodos com
tendência de baixa. "Nessa situação, as conseqüências
são a redução da lucratividade e o aumento das dificuldades de
acessos a mercados", diz. Segundo ele, portanto, ser um
grande produtor não constitui condição suficiente, tampouco
necessária, para ter sucesso em vendas externas.
De acordo com o
secretário-executivo da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de
Fruticultura, Jorge Loyola, é importante, antes de tentar vender
no mercado externo, verificar quais as variedades são pretendidas
ou aceitas pelos países importadores. "Existem muitas
diferenças de gosto", diz. "O abacaxi, por exemplo,
para o mercado internacional tem de ter o sabor do pérola e o
formato cilíndrico do smooth cayenne."
GRANDE ESFORÇO
Loyola afirma que, apesar de
recentes aberturas de mercado, como o da manga para o Japão e do
mamão para os Estados Unidos, ainda há muito o que melhorar em
termos de qualidade. "Houve um grande esforço para provar
que o País possuía tecnologia suficiente para vender alimentos
livres de contaminações e sem doenças que impedissem o acesso a
alguns mercaos mais exigentes", afirma.
O secretário-executivo aponta o
cooperativismo como solução para exportar grandes quantidades, e
com qualidade. Isso porque "cerca de 80% da produção
nacional está nas mãos de produtores com propriedades entre 2 e
5 hectares", diz. "Com grupos de produtores, é muito
importante que as tecnologias desenvolvidas cheguem mais rápido,
com a possibilidade de um custo menor", completa.
Fonte: O Estado |