Por que a venda de melões do Brasil para a China é tão relevante
Brasil vende melões para a China. Por que essa é uma grande notícia para quem trabalha com comércio exterior
25/09/2020

A China recebeu em setembro deste ano uma carga de melões enviados pelo Brasil. Ainda que seja um volume pequeno, essa é uma grande notícia para quem trabalha com comércio exterior. Afinal, o negócio é o primeiro após a assinatura de um acordo de bilateralidade entre os dois países e representa a primeira exportação de fruta fresca brasileira para os parceiros asiáticos.

O acordo de bilateralidade foi assinado em novembro de 2019, em reunião de cúpula dos Brics (agrupamento de países de mercado emergente que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O encontro contou com as presenças dos presidentes Jair Bolsonaro (sem partido) e Xi Jinping, além da ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

A primeira carga de frutas frescas foi composta por três toneladas e meia de melão sapo, que foram embarcados de Mossoró (RN) para a China e chegaram a Xangai no dia 18 de setembro.

“É um marco importante para o Brasil porque é a primeira fruta fresca exportada para a China”, disse Tereza Cristina. “O Brasil é o primeiro país do mundo a exportar melão para eles”, completou.

A China consome atualmente o equivalente a metade da produção mundial de melões. Em 2017, por exemplo, o mercado interno do país foi destino de 17 milhões de toneladas. A meta do Brasil é conquistar ao menos 1% desse mercado.

Se o objetivo do governo federal for atingido, o Brasil vivenciará uma expansão considerável no volume de melões que o país exporta. Em 2019, por exemplo, foram 251 mil toneladas vendidas para o mercado internacional. Uma das apostas para conquistar espaço na China é a questão de timing: a safra nacional coincide com a entressafra dos asiáticos.

Por que a exportação de melão para a China levou tanto tempo

O intervalo entre a assinatura do acordo de bilateralidade e o envio da primeira carga de melão para a China é um indicativo de como o processo foi complicado. Nos últimos meses, o país sul-americano se encarregou de cumprir etapas de um processo necessário para “abrir” o mercado.

Em janeiro, por exemplo, técnicos da GACC (entidade geral de administração da aduana chinesa) inspecionaram fazendas produtoras de melão no Ceará e no Rio Grande do Norte. Depois, emitiram certificação de venda apenas para a empresa Bollo Brasil, que já vendia laranja e tangerina para os chineses.

Todo o processo foi acompanhado pela Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados). A certificação fitossanitária da China para o melão brasileiro é um marco porque mostra caminhos para outras frutas nacionais.

Por que a exportação de melão para a China é promissora

A China é o principal parceiro comercial do Brasil, mas o papel do país na pandemia foi estratégico. Graças ao aumento do consumo dos asiáticos e especificamente aos negócios envolvendo produtos agropecuários, o volume de negócios do mercado brasileiro suavizou a queda provocada pela pandemia do novo coronavírus.

No consolidado de agosto, por exemplo, o agronegócio do Brasil exportou US$ 8,91 bilhões em 2020, alta de 7,8% em comparação com o mesmo mês do ano passado. O setor foi responsável por mais da metade das vendas internacionais do país no período.

Um exemplo é o que aconteceu com a soja: o Brasil exportou US$ 2,21 bilhões do grão em agosto, e a China foi responsável por comprar 75% desse volume.

O Brasil exportou US$ 2,7 bilhões de produtos oriundos do agronegócio para a China em agosto. O volume representa alta de 30% em comparação com igual período de 2019.

Na prática, portanto, os números mostram que a China é um mercado com potencial gigantesco. A abertura dessa janela para frutas frescas, itens que o Brasil consegue produzir com volume e escala, representa uma grande oportunidade para o comércio exterior do país enquanto mercado de trabalho.

Direção,
Marcus Vinicius Tatagiba.

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