Brasil zera imposto, e importação de arroz tem alta de 310% em setembro
Brasil zera imposto, e importação de arroz tem alta de 310% em setembro
18/09/2020

O volume de importação de arroz disparou no Brasil em setembro de 2020. Segundo dados da Secex/ME (Secretaria de Comércio Exterior, órgão vinculado ao Ministério da Economia), o país registrou alta de 310% em negociações relacionadas ao grão durante o período. Essa ascensão está diretamente relacionada a uma medida tomada pelo governo federal no dia 09, quando a pasta anunciou que zeraria até o fim do ano a alíquota para importação de arroz em casca.

Essencial na composição de compras dos brasileiros, o arroz tem convivido com alta constante de preços. O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, fez na primeira semana de setembro um levantamento mostrando que o produto havia sido inflacionado em pelo menos 100% nos últimos 12 meses. O saco de 5kg, normalmente vendido a R$ 15, chegou a ser comercializado por R$ 40.

Arroz vira tema de debate político, e Bolsonaro pede “patriotismo”

A escalada de preços transformou o arroz em insumo para um debate político. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a cobrar “patriotismo” dos supermercados: “Estou pedindo um sacrifício para manter menor a margem de lucro”.

A declaração gerou uma resposta da Apas (Associação Paulista de Supermercados), que também tentou se eximir. “[Aumentos] são provenientes de fornecedores de alimentos, suscetíveis a variáveis mercadológicas como maior exportação, câmbio e quebra de produção”.

De fato, a alta do arroz tem natureza complexa. O principal fator para explicar a inflação é a variação do dólar, mas também colaboram para isso um crescimento de demanda durante a quarentena e uma quebra na safra.

Como a alta do dólar interfere no preço do arroz

O mecanismo que sustenta a alta do arroz, aliás, é exemplar para quem quer estudar ou trabalhar com comércio exterior. A ascensão do dólar e a desvalorização do real criaram um cenário propício para exportações do Brasil e turbinaram a venda de uma série de produtos em mercados internacionais.

Outros fatores também contribuíram, como a dificuldade de outros países para administrar estoques do produto em meio à pandemia e a variação climática. Na prática, é uma demonstração de como a composição da balança comercial é multifatorial e está diretamente ligada à realidade de dois pilares: a necessidade do mercado e a variação cambial.

Entre março e julho, o Brasil registrou alta de 260% na exportação de arroz. Em contrapartida, por motivos contrários aos citados anteriormente, as exportações do item despencaram 59%. A combinação entre os dois fatores causou escassez de produtos à venda no mercado interno, e isso aconteceu num momento em que o consumo aumentou.

Auxílio emergencial também interfere no preço do arroz?

Paulo Guedes, ministro da Economia, adicionou outro elemento à discussão sobre o que pode ter causado a disparada do preço do arroz. Além da necessidade de criação de estoque num período em que as pessoas passam mais tempo em casa e aumentaram o volume de compras online, o titular da pasta ponderou que o auxílio emergencial distribuído pelo governo federal também teve peso.

A tese de Guedes é que os R$ 600 mensais que o governo ofereceu à população aumentaram o poder de compra e propiciaram que mais pessoas fossem aos mercados em busca de arroz. Portanto, esse aumento de procura corroborou um desequilíbrio no mercado do produto e contribuiu para o aumento do preço do que sobrou.

Ainda assim, a Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública chegou a notificar a Associação Brasileira de Supermercados, representantes e produtores em busca de esclarecimentos sobre a alta do preço. O movimento foi o primeiro em um processo que pode levar a investigação e sanções em caso de constatação de prática abusiva.

Com arroz em alta, Brasil zera taxa de importação

Ainda em agosto, a Abiarroz (Associação Brasileira das Indústrias de Arroz) liderou articulação com o governo federal para criar mecanismos que amenizassem a alta de preço. A Camex (Câmara de Comércio Exterior) anunciou no início de setembro uma isenção total de tarifas para arroz não parbolizado, polido ou brunido até 31 de dezembro de 2020, atingindo um total de 400 mil toneladas.

A reação foi praticamente imediata. Dias depois do anúncio, segundo a agência de notícias “Reuters”, os Estados Unidos reportaram venda de 30 mil toneladas de arroz para o Brasil.

Até a segunda semana de setembro, o volume de importação de arroz bruto subiu 310% no Brasil. O produto sem casca, polido, glaceado, quebrado, parbolizado ou convertido também cresceu, mas “apenas” 14,7%.

“Não podemos concluir que vai haver queda de preços, mas sem dúvida a medida pode servir como um teto para que os preços não subam mais”, explicou Andressa Silva, diretora-executiva da Abiarroz, em entrevista ao “Canal Rural”.

Direção,
Marcus Vinicius Tatagiba.

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