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Colômbia abre as portas para o Brasil

Acordo de complementação econômica assinado entre o Mercosul e o governo colombiano vai facilitar novos negócios. Em Pernambuco, a Jeep e a Refinaria podem ser beneficiadas

Mais que um novo destino turístico, a Colômbia aparece como uma grande oportunidade de negócios para Pernambuco em 2018. É que, além de se apresentar como uma nova conexão do Aeroporto Internacional do Recife-Guararapes, o vizinho sul-americano pretende estreitar as relações comerciais com o Brasil através de um Acordo de Complementação Econômica (ACE) assinado com o Mercado Comum do Sul (Mercosul). E o Estado pode ser um dos grandes beneficiados pelas novas isenções tributárias, pois produz muito do que os colombianos buscam no mercado brasileiro: produtos automotivos, têxteis e siderúrgicos.

Chefe do setor de promoção comercial e de turismo da embaixada brasileira na Colômbia, Bertha Gadelha explica que a ideia de violência e narcotráfico que circundava o território colombiano ficou para trás. Hoje, o país se destaca mesmo é pela segurança e pelo crescimento pujante, tanto que, em 2013, Medellín foi escolhida a cidade mais inovadora do mundo pela Organização Não-Governamental (ONG) americana Urban Land Institute. Os números do Fundo Monetário Internacional (FMI) também comprovam a evolução. Segundo a entidade, o Produto Interno Bruto (PIB) colombiano cresceu a uma média de 4,1% entre 2000 e 2010. E esse ritmo subiu para 5% entre 2010 e 2014, quando se cogitou até que a Colômbia poderia ultrapassar a Argentina, assumindo o posto de terceira maior economia da América Latina, atrás apenas do Brasil e do México.

A ultrapassagem não aconteceu, mas nem por isso a Colômbia deixou seu desenvolvimento estancar. Mesmo com a crise mundial, o país cresceu 3,1% em 2015 e mais 2% em 2016. A previsão para o PIB colombiano de 2017 é de 1,7%. Mas a expectativa é que esse número suba para 3,6% já em 2022, quando, nas projeções do FMI, o Brasil deve crescer apenas 2%. E, se depender da Colômbia, o crescimento será ainda maior. É que o país tem buscado estimular a sua economia de diversas formas. Em 2016, por exemplo, executou uma reforma tributária para facilitar a manutenção dos negócios e a criação de empregos locais. Em meados do ano passado, voltou os olhos para o mercado exterior, assinando um acordo tributário que facilita as relações comerciais com os membros signatários do Mercosul, sobretudo o Brasil. E as isenções entraram em vigor neste mês. Por isso, a expectativa é que as já crescentes exportações brasileiras para a Colômbia subam mais 10% em 2018.

“Estamos em um momento de incremento visível nas relações. Em 2016, tivemos um aumento de 5% das exportações brasileiras. Em 2017, contamos com quase 15% de incremento até novembro. E esperamos que esse número continue aumentando em 2018, já que passamos a contar com 97% de liberalização da pauta exportadora desde 1º de janeiro, por conta do acordo de complementação econômica assinado entre os países do Mercosul e a Colômbia”, detalhou Bertha, contando que, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras para este vizinho sul-americano beiraram os US$ 2,3 bilhões só nos onze primeiros meses do ano passado. Já as importações somaram cerca de US$ 1,3 bilhão. Por isso, na relação comercial com a Colômbia, o Brasil acumula um superávit de US$ 953 milhões entre janeiro e novembro de 2017.

“É uma pauta muito importante para a nossa economia porque é de alto valor agregado. Os colombianos compram toda a parte de maquinária e veículos brasileiros, além dos insumos de petróleo”, explicou Bertha, dizendo que, por conta disso, Pernambuco pode ser um dos grandes beneficiados pelas isenções tarifárias. Afinal, o Estado detém empreendimentos industriais de aço e siderurgia, a Refinaria Abreu e Lima e a Fábrica da Jeep. E esta última desperta um interesse especial nos colombianos.

A representante da embaixada explicou que um dos principais setores atingidos pelo acordo de cooperação é o automotivo, setor que já responde pela maior parte das exportações brasileiras para o vizinho sul-americano e é representado pela Jeep no Estado. É que, além de zerar as alíquotas do imposto de importação aplicadas a segmentos como o têxtil e o siderúrgico no Mercosul, a Colômbia assinou um acordo específico para o segmento automotivo no Brasil. O pacto zera as alíquotas de importação e também prevê a concessão de 100% de preferência para veículos dos dois países, com cotas anuais crescentes – no primeiro ano, serão 12 mil unidades; no segundo, 25 mil; e, a partir do terceiro, 50 mil unidades. E a Fiat Chrysler Automobiles (FCA), detentora da Jeep, conquistou uma das maiores cotas.

“É de se esperar que o número de exportações cresça a partir de agora e que as fábricas que estão em Pernambuco, como a Jeep, se beneficiem dessa nova realidade e preferência tributária”, concluiu Bertha, dizendo que os carros produzidos em Goiana têm tudo para ganhar espaço nas ruas colombianas. “A Jeep já tem uma entrada grande como marca no país e modelos como o Renegade respondem muito bem à realidade do colombiano, que adora sair no final de semana para ir ao seu sítio”, opinou a representante da embaixada, lembrando que as exportações estão no radar da Fábrica de Goiana. Desde o início da sua operação, em 2015, a planta da Jeep já exportou mais de 40 mil veículos para países da América do Sul como a Colômbia. E os planos são de aumentar esses números nos próximos anos, tanto que o Renegade chegou até ao México no ano passado.

“Como o Brasil, o estado de Pernambuco apresenta importante relação comercial com a Colômbia. O total das exportações e importações somaram 34,4 milhões e 31,9 milhões, de janeiro a novembro de 2017, respectivamente. Mas a expectativa é de crescimento do intercâmbio comercial entre os dois países”, confirmou o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE), Josias Albuquerque, que está de olho nessas novos oportunidades de negócio e, por isso, levou 29 empresários pernambucanos para a Colômbia no fim de 2017. “Alguns possíveis acordos podem evoluir a partir da missão. Seja no campo da cooperação institucional entre entidades ou nas relações empresariais no campo da sustentabilidade e agricultura”, revelou Albuquerque.

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