O que o Brasil pode aprender com a crise econômica da Argentina
O que o Brasil pode aprender com a crise econômica da Argentina
25/07/2020

A tentativa de retomada econômica do Brasil em meio à pandemia do novo coronavírus tem esbarrado em um fator externo extremamente relevante. Todo projeto de comércio exterior no momento precisa ter atenção especial às movimentações da Argentina. Por ser extremamente relevante na composição da balança comercial brasileira, o país vizinho tem papel decisivo para qualquer reação de mercado.

A previsão mais recente do FMI (Fundo Monetário Internacional) é que a Argentina feche 2020 com retração de 9,9% em seu PIB (Produto Interno Bruto). O número é significativo para um país que hoje é o quarto maior parceiro comercial do Brasil.

Além disso, a Argentina enfrenta período decisivo sobre sua dívida internacional. O governo de Alberto Fernández tem até agosto para quitar ou renegociar um pagamento de US$ 65 bilhões a credores internacionais, e isso pode afetar o poder de compra. A dívida acumulada do país bate na casa de US$ 323 bilhões com investidores e órgãos estrangeiros.

Negócios da Argentina com o Brasil já vinham em queda

A recessão enfrentada em 2020 agrava uma situação que já vinha se apresentando: a Argentina vinha reduzindo investimentos no Brasil. Em 2019, por exemplo, os hermanos compraram 34% menos do que no ano anterior.

Com a pandemia do novo coronavírus, contudo, o movimento ganhou outra proporção. A Argentina comprou apenas US$ 2 milhões do Brasil entre janeiro e março deste ano, por exemplo. Em 2019, havia investido US$ 100 milhões no país em igual período.

O que a situação da Argentina mostra para quem trabalha com comércio exterior

A situação vivenciada pela economia argentina vai muito além dos efeitos provocados pelo novo coronavírus. A inflação acumulada no país nos últimos 12 meses é superior a 42%, a despeito de medidas governamentais como corte de juros.

O descontrole fiscal da Argentina é especialmente relevante para o Brasil porque existe um temor de que o país dê um calote na dívida a ser quitada em agosto. Esse cenário aumenta a desconfiança de investidores estrangeiros em países emergentes e na região, o que causa também uma retração nas receitas brasileiras.

Direção,
Marcus Vinicius Tatagiba

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