Que impactos o novo coronavírus já provocou no mercado externo do Brasil?
Que impactos o novo coronavírus já provocou no mercado externo do Brasil?
12/06/2020

A pandemia do novo coronavírus já causou marcas profundas no mercado brasileiro. Ainda que o país esteja distante de um cenário consolidado dos efeitos da Covid-19, já é possível dizer que a doença e a quarentena mudaram a produção interna. Enquanto vários setores debatem como vai ser o “novo normal”, olhar para esses números é um exercício que ganha relevância.

O mercado exterior terá mais peso, e isso depende do produto

A economia interna do Brasil teve retração por causa da pandemia. São mais pessoas em casa, com cenário incerto de faturamento, com perspectiva nebulosa para os próximos meses (no mínimo). Com menos circulação de gente e dinheiro, o mercado local tornou-se menos atrativo.

Em contrapartida, o mercado externo mostrou-se atraente. Sobretudo por causa da variação cambial – a alta do dólar faz do Brasil uma alternativa mais sedutora para compradores de outros países.

A questão aqui é que a lógica de colocar todos os ovos na cesta do mercado externo serve apenas para alguns produtos. Entre janeiro e abril de 2020, por exemplo, 67% das exportações do Brasil foram de commodities. China, Estados Unidos e União Europeia seguem comprando, mas apenas em alguns segmentos.

O fluxo comercial do Brasil diminuiu. E isso tem sido positivo

Segundo dados do Banco Central, o fluxo comercial do Brasil com o resto do mundo diminuiu desde o início da pandemia. Até aqui, porém, isso tem sido favorável ao país, que registrou resultado positivo nas contas externas em março e abril.

Pandemia mudou características do mercado externo no Brasil
Crédito: Unsplash

Em abril, aliás, o superávit de US$ 3,8 bilhões foi o maior do Brasil desde o início da série histórica, em 1995. O BC espera novo superávit de US$ 3,1 bilhões para o consolidado de maio.

A Ásia ganhou um peso ainda maior no fluxo comercial do Brasil

Entre maio de 2019 e maio de 2020, as vendas do Brasil para a Ásia cresceram 27,7%. A China, que já é responsável por 40,4% das exportações nacionais, teve alta ainda maior (35,2%).

Em contrapartida, houve queda de 43,5% nas exportações para os Estados Unidos nesse período. Também caíram vendas para países vizinhos na América Latina e, em menor escala, para a União Europeia.

Na soma dessas informações, o que se vê é o mercado asiático ainda mais protagonista no mercado de exportações do Brasil.

Máscaras passaram a ser normais. E na economia, o que mudou?
Crédito: Unsplash

Mas a ameaça também chega da Ásia…

Outro aspecto relevante do comportamento do mercado em meio à pandemia é o crescimento da China em alguns mercados estratégicos. Em abril, por exemplo, os asiáticos desbancaram o Brasil pela primeira vez na história e se tornaram o principal parceiro comercial da Argentina.

Enquanto as exportações do Brasil para a China tiveram queda de 57,3%, a relação dos asiáticos com a Argentina tornou-se mais prolífica. Eles compraram US$ 509 milhões dos argentinos no mês, com ênfase em soja e carne bovina (alta de 50,6% em relação ao mesmo período de 2019).

O dinheiro das viagens sumiu

Os brasileiros gastaram US$ 203 milhões com viagens internacionais em abril, número que é 76% menor do que o registrado em igual período do ano anterior. Por outro lado, despesas de turistas estrangeiros no país recuaram 86,4% no mês.

Em receita líquida, a queda no segmento de viagens chegou a 91% no Brasil. Segundo o Banco Central, a desvalorização da moeda também influencia nesse aspecto – o Real sofreu depreciação em torno de 37% nos últimos meses.

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